domingo, 27 de fevereiro de 2011

Um todo, pelas pequenas partes

Sempre que entro neste espaço percebo o número de vezes que não vens cá, que não me lês. Que, assim sendo, não te interessas pelas minhas maiores características. Eu talvez não te seja aliciante quando não estou contigo. Não me podes beijar nem tocar.  A parte sentimental e pensativa não desperta desejo, logo não merece o teu tempo.
Será que eu sou só isso? Uma química perfeita, e uma boa companhia?
Será egoísmo teu ou embirração minha?


Não pretendo de todo que sejas idêntico a mim, não me serias estimulante. Mas gostaria que as nossas diferenças não nos afastassem, não criassem silêncios, expressões incompreendidas...  Que tudo o que te é estranho em mim te despertasse curiosidade, e quem sabe  interesse. Que este interesse, se não fosse de aprender mais um bocado sobre o tanto que não conheces, ao menos que o tivesses para conseguires formar opinião sobre as minhas ideias e, assim, poderes discordar delas se necessário.




Talvez eu tenha demasiados pormenores, quando viver é tão simples.

 

Eu talvez te peça demais, e tu sejas tão menos.     


Mas talvez eu esteja certa,

e amar seja um todo,

e não apenas partes.

Maio 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Só esta valsa

A felicidade sente-se quando não paramos para pensar nela.
Torna-se real sem se fazer notar. Apenas sabemos que esteve presente  porque respiramos fundo, e sorrimos.
É tranquila, serena, talvez até silenciosa. Tem picos de euforia quando se mostra em gargalhadas e borboletas no estômago.

Mas requer trabalho, exige-nos atenção. A Sra. Felicidade quer sempre ser conquistada, com afinco e determinação! E quanto maior for a luta, maior será a sua estadia no nosso peito.

Mas nunca fica por muito tempo, dança só uma valsa, e esconde-se logo a seguir...

Na verdade, só se deixa enamorar por quem souber reconhecê-la, nas coisas mais simples da vida!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

      O tempo que ela dedicava não parecia pertencer-lhe, sentia que era apenas carinhosamente emprestado. Ao corpo que deitava na cama, não lhe procuravam a alma. Ao toque, a vontade de possuir.
Ela queria ser abraçada com fúria, e que lhe roubassem o ar. Queria uma cena de ciúmes! Sonhava que lhe trouxessem rebuçados de surpresa, que lhe cantassem baixinho.
Queria saber que, se saísse para sempre, iria ser chorada.
Havia ainda praias por descobrir, à noite, só os dois. Havia palavras gritadas, e gestos em público, que ficavam sempre por fazer. Era tudo calmo, silêncioso, a conta gotas...

        mas um dia leu algures...

"Se alguém não te ama da mesma maneira que tu,
não significa que não te ame da melhor maneira que sabe"


       Então, olhou para ele e viu-o, não como o homem com que tinha sonhado; não como aquele que amara um dia com tão suposta perfeição. Mas percebeu que havia outra pessoa a tentar amá-la, e compreende-la. Que não sabia mais nada para além disso, não tinha nada guardado no bolso, artes de sedução, truques de magia nem palavrinhas de fazer corar. 
Alguém que era apenas inexperiência e medo da entrega, olhos verdes, tranquilidade.

E deixou-se ficar.

Ele vestiu-lhe o pijama e aconchegou-lhe os cobertores. E ainda hoje ela respira fundo e sorri, sempre que acorda com ele...





sábado, 7 de agosto de 2010

Canção de embalar




Não tragas os medos para este espaço, tira as mágoas de dentro de ti. Descansa de espírito aberto, mesmo com a chuva espessa lá fora.

Silêncio!

Passa a mão pelo peito e inspira. Agora, desenruga a testa.
Deita-te comigo no algodão, aninha-te.
"Dorme que ainda a noite é uma menina, deixa-a vir também adormecer."
Amanhã haverá o Sol para aquecer o que restou de ti...


   Para a minha menina feita de maçã e canela


terça-feira, 20 de julho de 2010

  ...

De todas as tardes quentes, esta foi a mais longa, a que mais a fez pensar. O vento abafado que corria da terra sussurrava-lhe aos ouvidos promessas de flores oferecidas, roubadas de um quintal.
      Caminhava até casa embalada pelas palavras que se reproduziam na sua cabeça, e a faziam rir sozinha na rua...




                                                   -Janta comigo!

Quero apresentar-te ás estrelas,
que de noite me ouvem a agonia
e mostrar-te as ondas,
a quem me confesso de dia.
Quero fazer do teu abraço
a minha companhia,
da tua gargalhada
 a minha própria alegria.
Há um verde de lima
nos olhos e na esperança.
Há fogo e há trigo
no cheiro da tua trança.
És mais do que corpo!
És a fénix e a cinza,
és o que me falta num todo, 
és o perfume que fica!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A pequenez



Tenho pena dos que, tendo tanto, não conhecem

nada. Dos que, temendo o frio, não sentem o

vento!

Dos que já sabem tudo,

dos que não erram, e não se sentam no chão!

Lamento pelos que nunca perderam, pelos nunca

sofreram, pelos que nunca sujaram as mãos!

E Ai de quem nunca chorou! De quem nunca se

 arrependeu, de quem nunca precisou de

 um abraço.

Cartas à minha flor III

"Um dia vamos acordar com vontade de pular da cama. Vamos vestir linho,  passear os cães e trazer pão quente para casa. Vamos passar a tarde a escrever, e a comer melancia fresca. Vamos parar para apreciar o dia escurecer e a lua subir, cor de laranja.
Tu e eu, vamos ouvir quem amamos chegar a casa, tranquilamente.
Vamos jantar com muita gente à mesa, com confusão na cozinha, e cheiro a bolo de chocolate a torrar no forno.
Então, sentar-nos-emos no alpendre de casa a beber vinho, com uma caneta a prender o cabelo."

Um dia, minha flor, depois de tudo o que agora temos por fazer, vamos lembrar-nos da conversa de hoje e confirmar que realizamos mais do que se sonhou um dia.